Artigo de Opinião
Trata-se de um texto
argumentativo que apresenta e defende um ponto de vista com o objetivo de
convencer alguém, ou mudar-lhe o comportamento ou a opinião. Esse gênero ocupa
um espaço significativo nos meios
jornalísticos e é aberto à participação de especialistas pertencentes a
diversas comunidades. No artigo de opinião, cidadãos defendem suas ideias sobre temas variados, pois ele permite que expressem
opiniões com a finalidade de abrir um debate público. O texto abaixo foi retirado do jornal “O Globo”,
na seção intitulada Tema em discussão, na qual, muitas vezes, publica lado a
lado artigos diversos, com o objetivo de mostrar pontos de vista diferentes.
Consequências
da privataria
Curvando-se ao cartel, o Brasil perde
uma grande oportunidade de deixar de ser o
eterno país do futuro
Os jornais estamparam nas suas primeiras páginas as
informações de que a Agência Nacional de Segurança dos EUA vem espionando o
Brasil. Algo como dois bilhões de telefonemas e mensagens de brasileiros foram
espionados. Um crime hediondo de
violação das liberdades individuais, sem qualquer justificativa, a não ser
a
de cumprir a estratégia do Departamento de Defesa americano para manter o Brasil,
o maior celeiro de matéria prima para os EUA, na condição de subdesenvolvido.
Diz um jornal de grande circulação: “Companhias de telecomunicações no Brasil
têm essa parceria que dá acesso à empresa americana”. O que não ficou claro é
qual a empresa americana que tem sido usada pela NSA como “ponte”. Quando a privataria começou, alertávamos sobre
o perigo de privatizar as telecomunicações, portadoras da informação, por ser
esta de alta importância estratégica. Se as empresas de telecomunicações ainda
fossem estatais seria muito mais difícil cooptá-las.
Tratando-se de empresas estrangeiras, fica muito mais fácil. Aliás, foi esta
uma das razões da privatização das teles. O Brasil perdeu o controle das informações.
Outras
más consequências das privatizações foram: a abertura do subsolo para empresas
estrangeiras; abertura da navegação de cabotagem
para elas navegarem nos nossos rios e escoarem nossas riquezas; a venda da
Vale por um centésimo do seu valor real e a quebra do monopólio do Petróleo.
Esta última está gerando a entrega do pré-sal para o cartel internacional do petróleo.
Sob
um bombardeio diário do cartel internacional, o governo Dilma vem sendo acuado
e, após reabrir os leilões — o que não tem sentido, pois a Petrobras já descobriu
mais de 60 bilhões de barris no pré-sal —, está prestes a entregar Libra, o maior
campo brasileiro, cuja reserva provável é de 15 bilhões de barris, aos grupos
estrangeiros. Estrangulando a Petrobras
financeiramente, o governo deixa a empresa enfraquecida para participar do
leilão. No 11º leilão recém-realizado, regido pela Lei de FHC [Fernando
Henrique Cardoso] que dá todo o petróleo para quem o produzir, a Petrobras teve
uma participação pífia, tendo comprado
menos de 20% das áreas ofertadas e sendo operadora apenas em 3 delas.
No
12º que é específico para o campo de Libra, o bilhete premiado, a Petrobras pode
ficar de fora ou com apenas 30% por ser operadora única. Em compensação, consórcio
estrangeiro tem chances de ficar com 46% do petróleo produzido, sem ter corrido
risco, sem ter feito nada, pois a Petrobras será a operadora. E vai exportar esse
petróleo bruto, deixando de pagar 30% de impostos e usando um imenso poder de
barganha na geopolítica mundial.
Enquanto
isto, nós brasileiros, donos do petróleo, deixamos escapar a maior oportunidade
que o Brasil tem para deixar de ser o eterno país do futuro e ser uma potência
econômica, financeira e tecnológica mundial. Não dá para aceitar isso.
Fernando
Siqueira
Disponível em:
http://oglobo.globo.com/opiniao/consequencias-da-privataria-9106325
Fernando
Siqueira é vice-presidente da Aepet e do Clube de Engenharia
AEPET – Associação dos Engenheiros daPetrobrás
Disponível
em: http://www.aepet.org.br/site/